sábado, 26 de outubro de 2013

Estudos; Quem acerta todo o Enem não tira nota 1.000; entenda como é o cálculo

Mais de 7,1 milhões de estudantes farão neste sábado (26) e domingo (27) a maior edição Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), um número recorde para concursos e vestibulares brasileiros. Porém, ao contrário dos processos seletivos tradicionais, as provas de múltipla escola do Enem são elaboradas segundo uma metodologia que vai além da simples soma de acertos das questões. Chamada de Teoria de Resposta ao Item, ou TRI, a metodologia confunde muitos candidatos acostumados com outros vestibulares, mas é considerada pelos especialistas como a forma mais adequada de avaliar um grande número de estudantes.


Uma das principais dúvidas sobre a TRI é o fato de que é impossível o aluno tirar nota 1.000 na prova de múltipla escolha (na redação, isso é possível). Por meio dessa metodologia, mesmo que o aluno acerte todas as 45 questões de cada prova, sua nota nunca será 1.000. Da mesma forma, um candidato que erre todas as questões não acaba com a nota zero (ou, no caso do Enem, a pontuação mínima, que é 200 pontos). Isso acontece, segundo Tadeu da Ponte, professor do Insper, porque a nota não retrata o desempenho individual do candidato, mas a posição que ele ocupou na escala de proficiência onde todos os milhões de outros candidatos também são incluídos.
A nota 1.000 é como se fosse o infinito da escala, e ninguém vai ter uma habilidade que nunca possa ser superada por outros", diz Tadeu, que também é sócio-fundador da empresa de avaliação educacional Primeira Escolha. Mesmo que todos os candidatos acertassem todas as questões, explica ele, a nota média seria próxima de 1.000, mas a nota 1.000 é uma meta jamais alcançável.
Renato Júdice, professor e diretor acadêmico do Uno Internacional lembra que "as escalas de proficiências são como uma reta numérica, ou seja, os números representam posições". É por isso que, ao divulgar o resultado do Enem, o Ministério da Educação também informa as notas máxima e mínima de cada prova --são elas que indicam os candidatos mais proficientes e os menos proficientes.
Essa escala, segundo ele, é uma forma "poderosa" de avaliação do candidato, pois as diferentes posições na escala indicam os diferentes níveis de proficiência. Quanto mais próximo da nota mínima, menos se pode confiar que o estudante domina os conhecimentos exigidos na prova, assim como a previsão do tempo indica os diferentes níveis de frio e calor na escala Celsius.
"Você pode tomar decisões pedagógicas [com base na nota do Enem] assim como toma a decisão ao arrumar uma mala com base na temperatura."
Isso pode parecer injusto, a princípio, com alguém que tenha acertado muitas questões. Porém, o professor Tadeu afirma que, se um exame com 7 milhões de candidatos os avaliasse apenas na porcentagem de acertos nas 180 questões totais das provas, haveria um número muito grande de empates que colocariam no mesmo nível pessoas que, na realidade, apresentam proficiência diferente.
Para explicar essa diferença, ele dá como exemplo uma fita métrica marcada apenas como centímetros, que seria o vestibular tradicional, e outra, mais detalhada, que também mede os milímetros. Se a prova medisse a altura dos candidatos, com a primeira fita métrica haveria muitos deles empatados em 177 centímetros, por exemplo. Mas, usando a fita métrica com milímetros, seria possível perceber que alguns são mais altos que outros. "A TRI pega fita métrica de milímetros", explica Tadeu.
É impossível calcular a própria nota
Como o cálculo da nota de um aluno no exame não depende só de seus acertos, os candidatos do Enem reclamam que é impossível calcular sua própria nota comparando as respostas com o gabarito oficial e, quando chega o resultado, criticam o fato de colegas com números semelhantes de acertos terem recebido uma pontuação diferente.
"O Inep não quer contar quantas questões o aluno acerta, quer saber a competência do aluno em matemática, em linguagens, em várias áreas", afirma o professor Renato. Júdice explica que, além da quantidade de questões certas em relação ao total, o Enem também avalia quais questões o candidato acertou, quais questões ele errou e quais foram as respostas dos outros candidatos para as mesmas questões.
Para fazer isso, o Inep "calibra" todas as questões do Enem antes de elaborar as provas em eventos conhecidos como pré-teste, quando as questões são aplicadas a centenas de alunos e o resultado indica seu grau de dificuldade a partir da porcentagem de acertos. Quanto menos alunos acertarem a questão, mais difícil ela é.
Assim, o exame se torna "comparável". Isso quer dizer que é possível comparar notas de candidatos de uma edição do Enem com as notas de outras edições, porque o nível de todas as edições é similar.
G1.COM
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